VI CONSINTEMA | Hospitais universitários não melhoraram com a gestão da EBSERH




Professor Antonio Gonçalves durante palestra.

A avaliação sobre o funcionamento e gestão dos hospitais universitários, após adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), foi tema amplamente discutido no VI CONSITEMA, na tarde dessa quinta-feira, 10. Para abordar o assunto, foram convidados o professor Antônio Gonçalves (ANDES) e a dirigente do Sintema, Graça Ferro. A mesa foi coordenada pela diretora Graça Barros, trabalhadora em educação lotada no HU.

 

A EBSERH foi criada em 2011, com a adesão da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) à empresa, no ano seguinte, em 2012. No Brasil, existem, atualmente, 35 instituições de ensino que tem hospitais universitários. Dessas, 32 aderiram à empresa.

 

Para o palestrante do ANDES, na perspectiva da empresa, criada no apagar das luzes do último mandato de Lula, a adesão foi um sucesso, mas o processo de entrega dos hospitais universitários não foi tão cordial.

 

Aqui na nossa instituição, a adesão foi sem um amplo debate com a sociedade, cliente primeira dos hospitais. Essa adesão nunca chegou ao Conselho Universitário. O conselho de administração do hospital aderiu à EBSERH sob pressão, em uma reunião em que o assunto não estava na pauta, e com a argumentação que ‘aderia ou o reitor seria preso’, porque estaria descumprindo uma ordem do Tribunal de Contas da União (TCU)”, ressalta.

 

Gonçalves explica que a principal argumentação para a instalação da EBSERH foi a situação dos trabalhadores dos hospitais universitários. O TCU havia constatado contratação irregular e isso precisava ser resolvido. Esse foi um dos aspectos. Além, é claro, da crise permanente dos hospitais universitários que no Brasil é uma constante.

 

No entanto, na avaliação do palestrante, a situação dos hospitais universitários não melhorou a relação com a universidade, muito menos com a assistência.

Palestra da dirigente Graça Ferro, na mesa sobre HU´s e EBSERH.

A expositora Graça Ferro compartilhou da mesma avaliação e, acrescentou, que a chegada da EBSERH gerou diversos problemas administrativos e na relação interpessoal entre funcionários da UFMA e da empresa, que atuam nos hospitais universitários.

 

“A ideia de que a empresa salvaria os hospitais não deu certo. Os hospitais universitários passaram a enfrentar dificuldades de manutenção como hospitais de ensino, ligados as universidades públicas, em face da demanda assistencial explosiva, causada pelo sistema de saúde precário, descredenciamento da rede particular junto ao aumento do empobrecimento da população”, pontua Graça Ferro.

Diretora Graça Barros, coordenadora da mesa.

Para a coordenadora da mesa, Graça Barros, o advento da EBSERH levou uma desmotivação para os trabalhadores, e trata a saúde como produto de mercado. “O servidor tem seus direitos trabalhistas violados, e a população sofre com a redução na prestação dos serviços de saúde”, comentou. Para a servidora, a falta de concurso para servidores estatutários deve agravar o problema de gestão dos hospitais.

 

Janaína Serpa – Imprensa Sintema.

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