{"id":10099,"date":"2018-10-08T17:23:52","date_gmt":"2018-10-08T17:23:52","guid":{"rendered":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/?p=10099"},"modified":"2018-10-08T17:23:52","modified_gmt":"2018-10-08T17:23:52","slug":"defensores-de-vitimas-de-guerra-e-violencia-sexual-ganham-o-nobel-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/defensores-de-vitimas-de-guerra-e-violencia-sexual-ganham-o-nobel-da-paz\/","title":{"rendered":"Defensores de v\u00edtimas de guerra e viol\u00eancia sexual ganham o Nobel da Paz"},"content":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea Noruegu\u00eas do Nobel anunciou os vencedores do Pr\u00eamio Nobel da Paz 2018, nesta sexta-feira (5), em Oslo, capital da Noruega. Por suas atividades de combate \u00e0s guerras e \u00e0 viol\u00eancia sexual, o m\u00e9dico congol\u00eas Denis Mukwege e a ativista da minoria yazidi Nadia Murad, do Iraque, venceram a disputa entre as 115 organiza\u00e7\u00f5es e os&nbsp;216 indiv\u00edduos indicados.&nbsp;O pr\u00eamio \u00e9 de aproximadamente US$ 1 milh\u00e3o e ser\u00e1 entregue numa cerim\u00f4nia em Oslo em 10 de dezembro \u2013 Dia Internacional dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/vencedores-nobel_da_paz_-_2018.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-10100\" src=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/vencedores-nobel_da_paz_-_2018.jpg\" alt=\"\" width=\"565\" height=\"279\"><\/a><\/p>\n<p>\u201cMuito merecido o Nobel da Paz para esses ativistas\u201d, afirma Celina Ar\u00eaas, secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CTB. \u201cOs dois t\u00eam um trabalho fundamental para resgatar as v\u00edtimas desses crimes hediondos&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p>Para a sindicalista mineira, o exemplo de resist\u00eancia e luta de ambos serve \u201cde inspira\u00e7\u00e3o para todas as pessoas que defendem a cultura da paz e n\u00e3o acreditam no poder das armas e da opress\u00e3o para resolver nenhum tipo de problema\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico ginecologista Mukwege, de 63 anos, conta horrores sobre v\u00edtimas de estupro na guerra da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Ele ganhou o pr\u00eamio pela sua dedica\u00e7\u00e3o no atendimento das v\u00edtimas e na ajuda ao encaminhamento de suas vidas, depois de atendidas, cuidadas e medicadas.<\/p>\n<p>Nadia, de 25 anos, foi sequestrada pelo Estado Isl\u00e2mico em 2014, no Iraque e transformada em escrava sexual, juntamente com outras 3 mil meninas, da minoria yazidi &#8211; grupo \u00e9tnico-religioso do Iraque. Ela permaneceu tr\u00eas meses como escrava.&nbsp; Quando conseguiu escapar do grupo defensor do \u00f3dio e da viol\u00eancia \u00e0s minorias, se transformou numa ardorosa defensora das v\u00edtimas de estupro.<\/p>\n<p>&#8220;Denis Mukwege e Nadia Murad colocaram sua seguran\u00e7a pessoal em risco ao combaterem com coragem crimes de guerra e buscarem justi\u00e7a para suas v\u00edtimas&#8221;, explica em nota o Comit\u00ea respons\u00e1vel pelo Nobel da Paz. &#8220;Eles promoveram a fraternidade entre na\u00e7\u00f5es ao aplicarem princ\u00edpios da legisla\u00e7\u00e3o internacional&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Berit Reiss-Andersen, presidente do comit\u00ea noruegu\u00eas, afirma que a inten\u00e7\u00e3o com a premia\u00e7\u00e3o dos ativistas \u00e9 passar para o mundo uma &#8220;mensagem de conscientiza\u00e7\u00e3o, de que as mulheres precisam de prote\u00e7\u00e3o e de que agressores devem ser processados e responsabilizados por suas a\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>A jovem Nadia conta \u00e0 BBC News que foi raptada com milhares de meninas quando os fan\u00e1ticos do Estado Isl\u00e2mico cercaram a sua aldeia, depois invadiram, mataram os homens e as mulheres mais velhas. Escravizaram crian\u00e7as e as mulheres mais jovens.<\/p>\n<p>Ela conta que at\u00e9 meninas de 10 anos foram transformadas em escravas sexuais. &#8220;Perguntei por que faziam aquilo conosco, por que haviam matado nossos homens, por que nos estupraram violentamente. Disseram-me que &#8216;os yazidis s\u00e3o infi\u00e9is, n\u00e3o s\u00e3o um povo das Escrituras, s\u00e3o um esp\u00f3lio de guerra e merecem ser destru\u00eddos'&#8221;.<\/p>\n<p>Para Luiza Bezerra, secret\u00e1ria da Juventude Trabalhadora da CTB, \u201co fanatismo leva pessoas e grupos \u00e0 cegueira&#8221; e isso &#8220;\u00e9 um passo para o uso da viol\u00eancia e do abuso\u201d. Ela acredita, por\u00e9m, que a cultura do estupro ultrapassa as fronteiras do Oriente M\u00e9dio, onde fica o grupo Estado Isl\u00e2mico. \u201cMuitos grupos de diversos pa\u00edses defendem abertamente a viol\u00eancia contra as mulheres, contra a juventude e \u00e0s chamadas minorias\u201d, diz.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Mukwege relata tamb\u00e9m \u00e0 BBC a sua experi\u00eancia e o terror experimentado ao atender v\u00edtimas da Guerra do Congo. \u201cComecei a me perguntar o que estava acontecendo\u201d, relata. Para ele, a viol\u00eancia sexual se transformou em &#8220;arma de guerra\u201d.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 atendeu mais de 30 mil v\u00edtimas de abuso sexual com ferimentos graves em seu pa\u00eds, que vive uma guerra civil que deixou mais de 6 milh\u00f5es de mortos, e milhares de mulheres v\u00eam sendo submetidas a estupros.<\/p>\n<p>Celina analisa o perigo que grupos extremisntas representam para a sociedade. &#8220;Ainda mais quando s\u00e3o mis\u00f3ginos (\u00f3dio \u00e0s mulheres), racistas e LGBTf\u00f3bicos. \u00c9 necess\u00e1rio muita reflex\u00e3o sobre os projetos de defensores do \u00f3dio, da opress\u00e3o e da utiliza\u00e7\u00e3o de armas como seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Marcos Aur\u00e9lio Ruy \u2013 Portal CTB com informa\u00e7\u00f5es da BBC News. Foto:&nbsp;Picture Alliance\/Dpa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea Noruegu\u00eas do Nobel anunciou os vencedores do Pr\u00eamio Nobel da Paz 2018, nesta sexta-feira (5), em Oslo, capital da Noruega. 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