{"id":5569,"date":"2015-01-26T20:06:25","date_gmt":"2015-01-26T20:06:25","guid":{"rendered":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/?p=5569"},"modified":"2015-01-26T20:06:25","modified_gmt":"2015-01-26T20:06:25","slug":"uma-rota-de-colisao-com-a-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/uma-rota-de-colisao-com-a-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"Uma rota de colis\u00e3o com a classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Adilson_Araujo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-5571\" alt=\"Adilson_Araujo\" src=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Adilson_Araujo.jpg\" width=\"384\" height=\"256\" srcset=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Adilson_Araujo.jpg 640w, http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Adilson_Araujo-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A \u00eanfase numa pol\u00edtica econ\u00f4mica conservadora, ditada pelos interesses do capital financeiro e hoje sob o comando do ministro Joaquim Levy, est\u00e1 conduzindo o governo a uma perigosa rota de colis\u00e3o com a classe trabalhadora e os movimentos sociais, cujos militantes tiveram papel decisivo na reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, em confronto aberto com os banqueiros, o todo poderoso mercado e a grande burguesia nacional e estrangeira. As medidas de austeridade fiscal at\u00e9 agora anunciadas tendem a provocar o agravamento da crise econ\u00f4mica, deprimindo o consumo e aumentando o desemprego. Sintomaticamente foram elogiadas at\u00e9 pelo famigerado FMI, que est\u00e1 impondo aos povos da Europa o desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social.<\/p>\n<p>No Brasil sequer alcan\u00e7amos algo que mere\u00e7a o nome de Estado de Bem Estar Social. Os sal\u00e1rios, aposentadorias, direitos e conquistas acumuladas pela nossa classe trabalhadora s\u00e3o bem mais modestas. O custo unit\u00e1rio do trabalho \u00e9 significativamente mais baixo. Ainda assim, a pretexto do desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, o governo que julgamos democr\u00e1tico e popular recorre \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos direitos do povo trabalhador para concretizar o ajuste fiscal advogado com muito sensacionalismo pela m\u00eddia burguesa e exigido diuturnamente pelos que d\u00e3o voz e vida ao mercado financeiro. Para indigna\u00e7\u00e3o das centrais sindicais falou-se at\u00e9 em corre\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00f5es e fraudes para encobrir o verdadeiro objetivo dos pacotes de maldades anunciados at\u00e9 o momento: viabilizar o super\u00e1vit prim\u00e1rio. Trata-se de economizar cortando nos gastos com os mais pobres para pagar justos ou encher as burras dos rentistas.<\/p>\n<p>Risco de recess\u00e3o<\/p>\n<p>A nova equipe econ\u00f4mica, cujo chefe (Levy) prometeu a grandes empres\u00e1rios estrangeiros reunidos em Davos nesta quarta-feira, 21, um \u201cduro ajuste\u201d, j\u00e1 subtraiu de cerca de dois ter\u00e7os dos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao seguro-desemprego, segundo estimativas do Dieese, restringiu o direito \u00e0 pens\u00e3o, ao sal\u00e1rio fam\u00edlia, aux\u00edlio doen\u00e7a. Notemos que a presidenta Dilma disse que n\u00e3o reduziria direitos trabalhistas \u201cnem que a vaca tussa\u201d, mas os compromissos com nossa classe assumidos durante a campanha est\u00e3o sendo sacrificados no altar da pol\u00edtica fiscal, num ritual aplaudido pela burguesia financeira e a m\u00eddia empresarial.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m vetou o reajuste de 6,5% sobre a tabela do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica, aprovado pelo Congresso, elevou a al\u00edquota do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para arrochar ainda mais o consumo (que est\u00e1 estagnado), enquanto o BC aumentou em 0,5% a taxa b\u00e1sica de juros (Selic, que subiu a 12,25%). Tudo isto caminha na contram\u00e3o do que o Brasil precisa, uma vez que joga mais lenha na fogueira da recess\u00e3o econ\u00f4mica, estimula demiss\u00f5es em massa e aumenta a concentra\u00e7\u00e3o da renda. Por isto, tais medidas t\u00eam merecido a condena\u00e7\u00e3o un\u00e2nime do movimento sindical brasileiro ao passo que s\u00e3o recebidas com indisfar\u00e7\u00e1vel deleite por banqueiros, especuladores, investidores internacionais e FMI.<\/p>\n<p>Car\u00e1ter de classe<\/p>\n<p>Nosso pobre pa\u00eds destina o equivalente a 6% do PIB ao pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica, bem mais do que se gasta em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, cujos or\u00e7amentos s\u00e3o sacrificados em benef\u00edcio dos rentistas. \u00c9 uma realidade escandalosa, que traduz uma colossal e infame transfer\u00eancia de renda da sociedade para os credores e imp\u00f5e uma l\u00f3gica perversa \u00e0 macroeconomia. O ajuste fiscal \u00e9 apresentado como uma necessidade hist\u00f3rica objetiva, al\u00e9m de indispens\u00e1vel \u00e0 governabilidade. Mas o discurso oficial encobre o fato de que a orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tem car\u00e1ter de classes e, no caso em tela, contempla os interesses do capital em detrimento do trabalho. Aqui (onde apesar da derrota da direita nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais o neoliberalismo est\u00e1 se impondo) assim como na Europa e em outras partes do mundo.<\/p>\n<p>Alternativas existem e os movimentos sociais, com o respaldo de muitos economistas progressistas, n\u00e3o cansam de apont\u00e1-las. Se \u00e9 real a necessidade de um maior equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas \u00e9 preciso que se diga em primeiro lugar que o d\u00e9ficit existente (classificado como d\u00e9ficit fiscal nominal) \u00e9 provocado exclusivamente pelas despesas financeiras (juros) e, ainda, que receitas podem ser ampliadas e gastos reduzidos, se necess\u00e1rio, sem sacrificar os interesses do povo e o desempenho da economia, que pode ser precipitada ao p\u00e2ntano da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Direitos sagrados<\/p>\n<p>O Jornal do Trabalhador, editado unitariamente pelas centrais (CTB, CUT, FS, UGT, NC e CSB) para convocar o Dia Nacional de Lutas de 28 de fevereiro contra os pacotes de maldade, sugere uma receita com quatro medidas: institui\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Grandes Fortunas; taxa\u00e7\u00e3o das remessas de lucros e dividendos ao exterior (que, de quebra, contribuiria em muito para o controle do d\u00e9ficit externo em contas correntes); revis\u00e3o das desonera\u00e7\u00f5es (sobretudo em ramos controlados por multinacionais, que com a ren\u00fancia fiscal ampliaram seus lucros e, ao mesmo tempo, as remessas \u00e0s matrizes) e redu\u00e7\u00e3o dos juros (que originam o d\u00e9ficit p\u00fablico). Seria um ajuste mais suave, feito \u00e0 custa dos ricos, a economia nacional ficaria mais animada e a classe trabalhadora agradecida, sem a sensa\u00e7\u00e3o de uma punhalada pelas costas na v\u00e9spera do Carnaval.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos \u00e9 abrir m\u00e3o da luta em defesa dos interesses da sofrida e explorada classe trabalhadora, cujas conquistas e direitos, arrancados com sangue, suor e muitas lutas, s\u00e3o sagrados para n\u00f3s. Temos consci\u00eancia de que \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio mudar a l\u00f3gica e os rumos da pol\u00edtica econ\u00f4mica e vamos redobrar nossos esfor\u00e7os de mobiliza\u00e7\u00e3o das bases para as batalhas que realizaremos neste sentido, come\u00e7ando pelo dia 28 de janeiro e passando pela Marcha da Classe Trabalhadora convocada para 26 de fevereiro. Teremos muita briga pela frente.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Por Adilson Ara\u00fajo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00eanfase numa pol\u00edtica econ\u00f4mica conservadora, ditada pelos interesses do capital financeiro e hoje sob o comando do ministro Joaquim Levy, est\u00e1 conduzindo o governo a uma perigosa rota de colis\u00e3o com a classe trabalhadora e os movimentos sociais, cujos militantes tiveram papel decisivo na reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, em confronto aberto com os banqueiros, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5569"}],"collection":[{"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5569"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5572,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5569\/revisions\/5572"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}