{"id":9670,"date":"2018-03-23T18:13:16","date_gmt":"2018-03-23T18:13:16","guid":{"rendered":"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/?p=9670"},"modified":"2018-03-23T18:15:51","modified_gmt":"2018-03-23T18:15:51","slug":"bc-atua-como-sindicato-dos-banqueiros-enquanto-povo-perde-emprego-e-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sintema.org.br\/sintema\/bc-atua-como-sindicato-dos-banqueiros-enquanto-povo-perde-emprego-e-renda\/","title":{"rendered":"BC atua como sindicato dos banqueiros enquanto povo perde emprego e renda"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/marcio-pochmann.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9671\" src=\"http:\/\/sintema.org.br\/sintema\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/marcio-pochmann-300x169.jpg\" alt=\"\" height=\"169\" width=\"300\"><\/a><\/p>\n<p>A grav\u00edssima recess\u00e3o que atingiu a economia brasileira produziu efeitos muito desiguais. Para a maioria do conjunto dos setores das atividades econ\u00f4micas, a recess\u00e3o implicou queda no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo redu\u00e7\u00e3o na capacidade de produ\u00e7\u00e3o (desinvestimento), acompanhada da redu\u00e7\u00e3o no faturamento e na taxa m\u00e9dia de lucro.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, por exemplo, setores industriais e da constru\u00e7\u00e3o civil amargaram diminui\u00e7\u00e3o significativa no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o e emprego de m\u00e3o de obra. A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de manufatura no Produto Interno Bruto recuou ao observado na d\u00e9cada de 1910.<\/p>\n<p>Por outro lado, os maiores bancos no pa\u00eds (Banco do Brasil, Bradesco, Ita\u00fa Unibanco e Santander Brasil) registram eleva\u00e7\u00e3o de 21% nos lucros que somam quase R$ 65 bilh\u00f5es somente no ano passado. A atua\u00e7\u00e3o do Banco Central como uma esp\u00e9cie de sindicato dos banqueiros ajuda a entender como foi contida a queda na taxa b\u00e1sica de juros (Selic), sem qualquer compromisso com o emprego e renda dos brasileiros.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia da ineg\u00e1vel alta na taxa de juros reais tamb\u00e9m favoreceu, bem como permitiu reproduzir \u2013 ainda mais \u2013 o segmento rentista, ou seja, aqueles que vivem da aplica\u00e7\u00e3o de sua riqueza no sistema financeiro. No ano de 2016, por exemplo, os rendimentos financeiros alcan\u00e7aram a soma de R$ 141,7 bilh\u00f5es, o que equivaleu a 2,2 vezes mais do que o registrado em 2013 (R$ 65,8 bilh\u00f5es), segundo informa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n<p>Para isso, o Banco Central elevou a taxa b\u00e1sica de juros de 7,25% no ano de 2013 para 14,25% at\u00e9 2016. Ao mesmo tempo em que inibia o conjunto das atividades econ\u00f4micas, produzindo a mais grave recess\u00e3o entre os brasileiros, o Banco Central protegia os muito ricos com capital a desviar das atividades produtivas para as aplica\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeito com o benepl\u00e1cito do Banco Central aos ricos, o Minist\u00e9rio da Fazenda manteve intoc\u00e1vel o atual sistema tribut\u00e1rio regressivo, o que permitiu prosseguir com os privil\u00e9gios aos detentores de fortunas no pa\u00eds. No ano de 2017, por exemplo, a renda advinda de lucros e dividendos que alcan\u00e7ou a soma de R$ 350,3 bilh\u00f5es permaneceu imune ao pagamento do imposto de renda, ao contr\u00e1rio dos assalariados, cuja renda mensal superior a R$ 2 mil (R$ 24 mil ano) implica contribui\u00e7\u00e3o ao fisco.<\/p>\n<p>Trabalhadores perderam emprego, tiveram rebaixamento do n\u00edvel de renda, mas o peso dos impostos sobre os mais pobres seguiu intoc\u00e1vel pela equipe econ\u00f4mica do governo Temer. Assim como a elite dos servidores p\u00fablicos com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil (R$ 52,5 mil por m\u00eas), e que representa apenas 1% dos quase 5 milh\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais, seguiu detendo isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de um ter\u00e7o de sua renda auferida ao ano (R$ 58,7 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de adicionais \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, como aux\u00edlio-moradia, entre outros, constitui benef\u00edcio tanto para se proteger de crises econ\u00f4micas como a recess\u00e3o quanto manter imune \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o que atinge, sobretudo, os mais pobres no Brasil. A grande faixa de isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias se constitui agravante do processo de reprodu\u00e7\u00e3o da b\u00e1rbara desigualdade de renda e riqueza.<\/p>\n<p>Todo o movimento de ajuste fiscal produzido pelo governo Temer, que tem destru\u00eddo direitos sociais do conjunto da popula\u00e7\u00e3o, passa \u00e0 margem dos ricos e privilegiados do pa\u00eds. Talvez por isso que os propagandistas sustentados por bancos e meios de comunica\u00e7\u00e3o destacam o quanto a equipe econ\u00f4mica \u00e9 a do sonho do mercado financeiro.<\/p>\n<p>Marcio Pochmann \u00e9 professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Fonte:&nbsp; Os artigos publicados na se\u00e7\u00e3o \u201cOpini\u00e3o Classista\u201d n\u00e3o refletem necessariamente a opini\u00e3o da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e s\u00e3o de responsabilidade de cada autor.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grav\u00edssima recess\u00e3o que atingiu a economia brasileira produziu efeitos muito desiguais. 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