Após a negativa do governo em abrir negociação com a categoria, em greve desde o dia 17 de março, o Comando Nacional de Greve-FASUBRA dedicou o dia 20 para avaliar os rumos do movimento e as perspectivas de romper com a intransigência demonstrada pelos governantes até o momento.
Em sua análise o Comando Nacional de Greve, por unanimidade, entendeu que a posição do governo, em não abrir um processo negocial, se traduz em desrespeito aos trabalhadores em greve. Como aceitar o argumento de que não há margem para negociar se o que acompanhamos no dia a dia mostra, é uma inversão de prioridades como os investimentos no setor produtivo, (automobilístico, agronegócio), sem apresentar em contrapartida a garantia do atendimento às demandas dos trabalhadores que sustentam este processo. Se há necessidade de investimentos em alguns setores da economia, inegavelmente deve se ter um investimento ainda maior nas áreas sociais como forma de garantir sua sustentabilidade, o que não acontece hoje, e por isto as manifestações da população cobrando, segurança, transporte público, saúde e educação.
Mesmo com o investimento feito no setor público cresce cada vez mais o investimento no setor privado. O governo a cada dia aumenta a verba para o FIES, como forma complementar para financiar o ensino nas instituições privadas, já que grande aporte já é destinado através da dispensa de impostos através do PROUNI. Esses fatores, dentre outros, motivaram o governo a retirar o PNE e a exclusividade dos recursos de 10% do PIB para a educação pública. Em contrapartida a sociedade organizada e o movimento sindical travam uma luta para garantir a aplicação dos 10% do PIB para a educação pública.
Entendemos que nossas reivindicações trazem elementos que contrariam o projeto implementado pelo governo, como por exemplo, a terceirização e a EBSERH. Somos a favor da educação e saúde pública, gratuita e de qualidade, e isso contratia o governo em sua política de privatização que se dá diretamente com a concessão para empresas estatais e com a terceirização que precariza as relações de trabalho, prejudicando milhares de trabalhadores. Tudo isso para beneficiar um pequeno grupo de empresários, que tem investido nas campanhas políticas, numa verdadeira “operação de troca” que prejudica imensamente o bom desenvolvimento dos trabalhos nas universidades, além de fomentar a corrupção e estabelecendo a ocupação do espaço público pelo interesse privado.
O Comando Nacional de Greve avalia que a única forma é ampliar a greve, com ações que devem ser sincronizadas e cumpridas por todos para que deem visibilidade e forcem o governo a atender nossa pauta e para isto é preciso que cada companheiro da base venha fortalecer o movimento, como por exemplo, o que aconteceu na UFAL, onde os trabalhadores decidiram suspender os pagamentos a empresas, como água, luz, etc. para pressionarmos o governo a abrir as negociações.
Fonte: CNG/FASUBRA.

